O livro gira sobretudo à volta de três eixos: 1. O Cancioneiro Geral, primeira compilação poética impressa em Portugal, como obra ao serviço do poder e reflexo de um reino cujo grandeza deve ser exibida em todas as dimensões, incluída a criação poética; 2. O relevo que nele ganha D. Manuel I, que, ostentando os títulos de duque de Beja e senhor de Viseu, subiu inesperadamente ao trono em 1495, como se fosse o “socessor verdadeiro” de D. João II, expressão com efeitos legitimadores; 3. A peregrinação manuelina a Compostela em 1502, a qual se revisita tanto do ponto de vista histórico-político quanto literário a partir de um vilancete recolhido na coletânea. Reflete-se sobre a comitiva (os poetas-peregrinos), o itinerário, a magnanimidade real e as motivações que animaram a viagem e contribuíram para a identidade do Caminho Português. Confirma-se a identidade dos protagonistas desse texto da autoria de Pero de Sousa Ribeiro e relativo à receção dos romeiros pela rainha D. Maria em Santos-o-Velho (Lisboa). Sob uma perspetiva comparatista, analisa-se a temática, a estrutura, o ritual, o quadro parateatral em que se inscreve e a sua projeção nas literaturas galega e castelhana.
Maria Isabel Morán Cabanas
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