*Trezentos anos a evitar os vivos — até que uma mulher a chorar nas escadas às três da manhã se torna impossível de ignorar.*
Em Lisboa, nas entranhas esquecidas de um edifício do Intendente, vive Mara. Dorme numa cave, possui apenas três sacos de pertences e lê à luz de uma vela. Uma existência aparentemente simples — não fosse ela ter trezentos anos.
*Filhos da Lua Negra: Criaturas da Noite Eterna*, de Radu Constănțescu, é um romance vampírico de rara sofisticação que subverte as convenções do género para oferecer algo profundamente literário e perturbador. Não há aqui glamour sobrenatural nem batalhas épicas. Há, em vez disso, o peso silencioso de séculos acumulados numa mulher que aprendeu a caçar sem matar e a amar sem se deixar destruir pela inevitabilidade da perda.
A narrativa constrói-se em dois planos temporais que dialogam com elegância: o presente de Mara numa Lisboa contemporânea e cinzenta, e os fragmentos de memória que a transportam à Moldávia de 1723, onde uma mulher chamada Agafia a transformou sem lhe pedir consentimento. Esse pormenor — não a dor, mas a ausência de escolha — é o coração moral do livro.
Quando Inês, a vizinha do segundo andar, começa a cruzar o seu caminho, algo se perturba na rotina cuidadosamente construída de Mara. Constănțescu explora com mestria a tensão entre a necessidade de invisibilidade e o magnetismo irresistível das conexões humanas.
A prosa é densa, sensorial e precisa, com uma atenção ao detalhe que transforma Lisboa numa personagem viva. Um romance para quem procura fantástico com substância literária.
Radu Constănțescu
Radu Constănțescu é um escritor especializado em ficção de horror e fantasia sombria. Seus trabalhos exploram temas de imortalidade, identidade e a margem entre o humano e o sobrenatural. Com uma abordagem narrativa introspectiva e atmosférica, Constănțescu cria mundos onde personagens isolados confrontam verdades ancestrais e segredos enterrados. Seu interesse pela mitologia europeia e pela psicologia das criaturas da noite permeia sua escrita. Vive em relativo isolamento criativo, dedicando-se integralmente à construção de narrativas que desafiam as fronteiras entre realidade e mito.
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